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Eu decidi começar este segundo artigo sobre a Oficina de Quadrinhos, uma das oficinas de ministro há 12 anos, com a pergunta sobre pré-requisitos, para abordar uma das coisas que mais importas: acreditar nas próprias ideias. Isso não é um pré-requisito para participar da oficina de quadrinhos, pois eu não teria como avaliar isso antes de termos algumas aulas, até que chegasse o momento de cada aluno apresentar seus argumentos, personagens e consequentemente a ideia que tem para desenvolver uma história em quadrinhos.
Mas você pode acreditar: a maioria das ideias individuais que já surgiram nas diversas turmas, eu qualifico como excelentes.

Agora eu volto ao título deste artigo para abordar o desenho e a individualidade: Não há uma regra sobre o desenho que você deve ter para desenvolver uma história em quadrinhos, a partir do momento que você não está fazendo uma HQ para uma editora ou qualquer outra empresa que tenha feito uma encomenda. Se uma empresa te contrata, ela espera um tipo de desenho, de história, e possivelmente ela te chamou porque os trabalhos que ela já conheceu feitos por você, a fez acreditar que poderia esperar tal estilo ou tipo de trabalho.

Se você vai desenvolver um trabalho autoral, você tem liberdade de utilizar a sua expressão natural, o seu desenho original, o tipo de traço que flui naturalmente. Na Oficina de quadrinhos, para mim, sua verdadeira expressão é mais importante que tudo. Se você ainda não a encontrou, vamos fazer o máximo para ajudá-lo a encontrar. Afinal, sempre podemos melhorar, estudar e desenvolver técnicas de desenho. Sempre podemos melhorar nossa percepção visual, conhecer e experimentar como o traço de cada um fica com a variação de lápis (referente a espessura, maciez). A forma de arte-finalizar um desenho, no que diz respeito a variação das pontas de caneta, por exemplo.

O que percebo é que muitas vezes o aluno perde ou não se sente estimulado o suficiente com seu próprio traço. Os desenhos super elaborados acabam influenciando negativamente algumas pessoas e elas acham que para fazer uma história em quadrinhos interessante, elas precisam ter aquele traço, aquela colorização. Esta pode ser uma grande armadilha. Talvez, essa visão possa mudar após ler MAUS de Art Spiegelman ou PERSÉPOLIS de Marjane Sátrapi. Sugiro ainda que não se atenha a ler as obras. Dá uma “futucada” no google e leia um pouco sobre esses autores. Você vai ver que o mundo da originalidade e expressão verdadeira pode te levar tão longe ou mais do que um “desenho impressionante”.

:: Wilton Bernardo
Artista visual, designer gráfico, cartunista e artesão
Gestor da Oficina HQ e da marca Laço Afro

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